Escrever sobre nada e dizer tudo

   Nao sei sobre o que quero escrever, mas a ideia de pegar numa caneta,  abrir um caderno e dar palavras àquelas folhas em branco,  agrada-me.
   Posso começar pelos meus amores,  desamores, encontros,  re-encontros,  desencontros, sobre o que quer que seja, essas palavras já fazem sentido mesmo sem serem partilhadas com mais ninguém,  a folha e eu sabemos o que lá está.
   A folha tira-me as angústias, os medos e as desconfianças que as situações me trazem,  mesmo que seja só momentâneamente,  é o suficiente para dormir em paz. Escrever acalma a alma, mesmo que o que está escrito não faça sentido em mais lado nenhum para além da minha cabeça.
   Enquanto tento alinhar as palavras que vou escrever,  as restantes organizam-se por si só,  como que em modo de espera para serem as próximas a ser libertadas.
  Chega a paz e as palavras fluem e o sono pode instalar-se :)

Será?

As certezas já foram mais,  as dúvidas mais pequenas.  O tempo passa e parece que afinal não se pode mudar ninguém. Não interessa o quanto nos dedicamos, os gestos que praticamos,  assim como "o que tem de ser tem muita força", o que não tem de ser,  também tem.
As pessoas só mudam se quiserem mudar,  muito ou pouco,  só se quiserem é que vão mudar.
Ninguém é uma perda de tempo total,  aquilo que não conseguimos mudar nos outros,  acabamos por mudar em nós. De uma forma ou de outra aprendemos e crescemos com aquilo que queremos ensinar.
Os afetos não se ensinam ou estão lá para ser despertados ou não estão.  Se não estão é porque alguém não os quer lá! Lutar contra a vontade de cada um é como dar murros em paredes de betão armado: faz mais mossa em quem dá,  do que em quem recebe.
A parede até pode ficar amolgada e pode ser que quem vier a seguir,  a consiga deitar a baixo,  mas quem deu os primeiros murros vai  sempre lembrar-se da dor,  vai tê-la como lição.

É capaz de ser melhor assim.  Deixa aberta a porta da amizade,  o amor não mora aqui.